Sobre textos, técnicas & afins (ser recusado).

Ser recusado pode parecer o fim do mundo e de certa maneira é mesmo. Mas se você é como eu e não vive sem escrever, essa recusa pode ajudar no caminho, afinal se até a J. K. Rawling foi recusada quem somos nós na fila do pão.

Todo mundo quer ser aceito por uma editora, mas arrisco dizer que se você for aceito logo de início é bom ter cautela. Mas não é esse o nosso caso, não é mesmo? Então vamos voltar a nossa realidade. Muita gente boa foi recusada e se isso servir de alento você pode inserir – se nesse time.

Escrevo porque preciso, é uma das maneiras que encontrei de me expressar. Então não importa muito se vão pagar ou não, se vão ler ou não, o que importa é se consegui expressar o que sinto. É mais ou menos por aí. Sei que pode soar romântico demais, mas não tenho outra explicação, e no final das contas publiquei meus livros, mesmo sem editoras.

Sobre textos, técnicas e afins (carreira 2).

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Entrevistas podem ser raras para quem é independente, mas de vez em quando elas aparecem. É importante arquivá-las em áudio ou papel. Geralmente o entrevistador também é independente e essas entrevistas podem desaparecer. Se você não arquivar vai ficar sem o material, sem ele é provável que seu trabalho caia no esquecimento e se isso acontecer você pode desistir.

É um material importante para a organização do portfólio, é nele que você verá a evolução da própria carreira.

Sobre textos, técnicas e afins (carreira 1).

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É preciso publicar de tempos em tempos e valorizar as próprias publicações. Obviamente que todo mundo quer um contrato com uma editora e viver de direitos autorais, mas as chances disso acontecer podem ser mínimas. Se mesmo assim você insistir numa carreira literária é preciso arquivar e valorizar o próprio material, se não você cai no esquecimento.

O auge da carreira (na minha humilde opinião) é o livro, mas outras publicações são importantes, colunas, artigos, convites, enfim, o que aparecer, principalmente no início.

Por outro lado, com o tempo é preciso ter um foco, no meu caso optei pela música, mas se pode optar por qualquer área.

Sobre textos, técnicas e afins (publicação 1).

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Hoje em dia a publicação não tem o mesmo efeito que teve sobre a minha geração. Com o advento da internet e a explosão dos blogs e redes sociais qualquer pessoa pode publicar facilmente. Na minha adolescência ser um escritor publicado era uma espécie de status que dividia os homens dos meninos. Em todo caso não vou negar que os blogs e redes sociais facilitaram as coisas, mas a publicação em papel para mim ainda tem um certo encanto.

Particularmente acredito que para um iniciante seja melhor começar a publicar em outros veículos. Obviamente que o aspirante a escritor pode fazer o que quiser, mas publicar em outro veículo dá mais credibilidade, afinal qualquer um pode publicar no próprio blog.

Comecei publicando em outros veículos, programas de shows universitários, convites de lançamento, revistas, jornais e sites independentes, releases para bandas (nem sempre assinados) etc. Isso me deu background e experiência para  organizar as coisas quando resolvi publicar por conta própria.

Sobre textos, técnicas e afins (ideias).

ideias

Em geral procuro trabalhar com assuntos ligados ao que me inquieta. Às vezes tenho uma ideia boa que não desenvolve. Tenho vários níveis onde posso utilizá-las mas às vezes ela não passa de um post no facebook.

Obviamente que procuro seguir uma linha de trabalho, no caso, algo ligado ao blog da Lado A Discos, mas a vida não é uma coisa só. Desenvolvo outros assuntos e deixo em stand by. Ter muitas ideias sobre vários assuntos pode ser bom mas é preciso fazer escolhas, se não corremos o risco de ficar sem direcionamento e sem ele não chegar a lugar nenhum.

Sobre textos, técnicas e afins (cortes).

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Uma vez a poeta paranaense Helena Kolody (1912 – 2004) disse que um bom texto não tem “andaimes”. Imaginei o texto exatamente como numa construção, depois de pronta você precisa retirar os “andaimes”. Chamei essa parte do processo de “cortes”. É quando o texto está pronto, mas precisa dos últimos retoques, retirar excessos.

Em geral são frases longas que podem ser resumidas em duas ou três palavras, por exemplo: “Hoje o dia está com muitas nuvens…” você pode substituir por “tempo nublado”. Há também o abuso de preposições, por exemplo: “De onde veio tal coisa? Da casa de Maria.” Você pode substituir por “Qual origem de tal coisa? Maria. ” Foram apenas exemplos, vai depender do estilo do autor e dos personagens (se houver)… Essa limpeza do texto dá maior fluidez a leitura e o leitor não cansa facilmente, porque em princípio, a ideia é que ele termine de ler o que você escreveu. Com excessos é possível que ele desista da leitura.

Sobre textos, técnicas e afins (Rascunho).

rascunho

Rascunho é diferente de descanso, no descanso a ideia é acertar um ou outro detalhe, no rascunho você pode simplesmente ignorá-lo, não há compromisso. O objetivo é desenvolver alguma coisa, qualquer coisa.

É algo que você pode guardar se desejar. Caso se torne um escritor seus leitores podem ter acesso ao seu processo criativo. Senão, ninguém saberá como aconteceu, talvez nem você mesmo. Escritores consagrados tem originais com alterações, nesse caso o rascunho foi relativamente aproveitado.

Tenho alguns guardados, mas eles dão muito trabalho para catalogar. No meu caso são manuscritos, não sei como o pessoal se organiza com os digitais.

O aproveitamento vai depender de escritor para escritor, se o profissional utiliza pouco rascunho é porque já tem uma técnica bastante desenvolvida e acaba pulando essa parte do processo, principalmente em textos curtos. Se está começando é comum fazer bastante rascunho e pouca coisa ser aproveitada, se é o seu caso, não desanime é assim mesmo.

É disco que eu tô falando.

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“Labcabincalifornia” – The Pharcyde 1995.

The Pharcyde é um grupo de hip – hop de Los Angeles fundado em 1989. Em 1995 eles lançaram o álbum “Labcabincalifornia” e uma das faixas mais conhecidas é o single “Running”.

Na revista “Rolling Stone” desse mês (out.2016) li que J Dilla (integrante do Pharcyde) usou o sample de “Saudade vem correndo” de Stan Getz e Luiz Bonfá em “Running”.  “Saudade vem correndo” foi lançada no álbum “Jazz Samba Encore” de Getz e Bonfá em 1963.

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“Jazz Samba Encore” de Getz e Bonfá em 1963.

J Dilla foi rapper, DJ e produtor musical. É considerado um dos produtores mais influentes de toda a história. Faleceu em 2006 aos 32 anos.

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J Dilla no rolê dos discos.

Marisa Monte & Caetano Veloso 1998 (da Série Todos os Shows).

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Na verdade não lembro se foi em 98 ou 99, em todo caso já estava na universidade e já tocava com o Stanley Dix, banda onde fui baixista de 98 a 2000. Eu namorava uma estudante de artes plásticas e fui com ela ao show. Era uma apresentação gratuita na Pedreira Paulo Leminski, que comemorava a inauguração da fábrica da Renault na RMC de Curitiba.

Financeiramente eu havia regredido, agora já não tinha mais emprego de cobrador e era apenas um estagiário em uma fundação cultural, ganhando menos que 1 salário mínimo (estudantes de áreas culturais recebem menos durante os estágios), cobradores de ônibus ganham em torno de 1 salário e meio. Ir a shows já não era tão simples e o Stanley Dix nunca daria dinheiro.

Foi a primeira vez que Caetano e Marisa cantaram juntos, eu nunca tinha visto a Marisa ao vivo e ela já vinha me influenciando desde 1994, quando gravou uma versão para “Pale blue eyes” do Velvet Underground.

Eu não veria mais nenhum dos dois em show e meu namoro com a estudante de artes plásticas duraria poucos meses.

U2 – Pop Mart São Paulo 1998 (da Série Todos os Shows).

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Palco da turnê Pop Mart do U2.

É provável que eu ainda não soubesse (ou tinha acabado de saber) que tinha sido aprovado no vestibular de música da UFPR e é provável também que eu tenha ido ao show no dia 30 de janeiro de 1998 no Morumbi em São Paulo, como já disse, minha memória já não é mais confiável.

Na época me defendia como cobrador de ônibus, tinha tido um problema no supermercado e saí do emprego de caixa. A única coisa que eu sabia sobre Andy Warhol era que ele tinha andado com o Velvet Underground nos anos 60 e olhando hoje vejo claramente a influência da pop art de Andy nesse trabalho do U2.

Já estava com 24 anos e no ano anterior tinha decidido estudar música seriamente e para mim isso significava entrar para a universidade. Então, eu trabalhava como cobrador de ônibus e pagava um cursinho pré – vestibular. Em janeiro as aulas ainda não tinham começado e eu já estava noivo da ex quase baterista dos The Stars. Para mim o casamento era questão de tempo.

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Ingresso para o show da banda.

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Palco no estádio do Morumbi. Foto: sombrasearvoresaltas.blogspot.com.br

Eu conhecia o U2 do final dos 80, começo dos 90 e foi a única vez que os irlandeses ao vivo. Um show memorável. Meu curso na UFPR começaria naquele ano, meu noivado não duraria muito tempo e eu entraria em uma das minhas maiores ilusões, me transformar em um rockstar como aqueles que eu tinha visto até então.